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Resenha: Belle Époque

"Perfeita. Ninguém jamais havia me descrito assim antes"


            Queria me lembrar o blog que li a resenha que me fez ir atrás do livro “Bele Époque” (Belle Époque: A Novel of Beauty and Betrayal), publicada em 2014 pela editora Versus e escrita por Elizabeth Ross. Lembro que era uma resenha fantástica, cheia de negritos e CAPS LOCK’s, já fucei pelos blog’s que costumo visitar, no google, no meu histórico... não consegui achar, mas queria lembrar para poder agradecer o dito cujo, ou dita cuja, por me apresentar esse livro! 


            O livro se passa na Paris boêmia, pós revolução, na qual as artes, a música, a busca pelas tais, liberdade, igualdade e fraternidade corre solta. É essa Paris que a sonhadora Maude Pichon sonhou a vida toda, morando em uma cidade no interior da Bretanha com um pai que nunca deu o devido valor, finalmente toma coragem para ir a busca de tais ideais e foge para a cidade-luz.

            Ao chegar lá, a protagonista percebe que a vida não seria fácil, que mesmo trabalhando duro, ela mal conseguia dinheiro para se sustentar. Nesse cenário desespero que ela se depara com a Agência Durandeau, que a oferece o humilhante, mas bem remunerado, emprego de repousser. Cuja definição é repelir, ou seja, garotas, como Maude, eram contratadas para serem damas de companhia de mulheres ricas, por serem desprovidas de uma beleza padronizada, o que ressaltaria a beleza das madames da alta sociedade.

Em todo tempo e lugar, a feiura tem seus aspectos de beleza; é emocionante descobri-los onde ninugém mais os notou - Yvette Guilbert



“Amigas? Você deveria saber. A vida em sociedade não significa fazer amizades, significa fazer alianças”

            O que a mademoiselle Pichon não esperava ao deixar todo seu orgulho de lado e aceitar o emprego, era que ao entrar no mundo de fútil e deslumbrante do nobreza francesa, ela iria acabar se encantando e confundindo sua real posição nessa pirâmide social. Nesse meio tempo ela conhece Paul, um boêmio encantador, mas que trás ela à realidade, na qual ela tem vergonha de assumir o papel que se submete.
  
            São 292 páginas de um romance histórico, narrado elegantemente em primeira pessoa, que nos trás todos os dilemas da época e de Maude. Nos fazendo refletir sobre nossos valores e nossas perspectivas de vida. Afinal ela também sonha com uma vida estável, com o amor e com um emprego que a realize.

“Talvez as pessoas sejam tão bonitas quanto precisam ser”




                Ross me presenteou com um romance multigênero, mostrando as facetas da verdadeira beleza, até onde o ser humano pode ir pela vaidade, a facilidade de ser deslumbrado pelo mundo traiçoeiro e luxoso da alta sociedade, a luta da mulher no mundo acadêmico dominado pelas homens e a importância da verdadeira amizade.  Além de tudo isso, ela ainda nos brinda com um plano de fundo incrível a realidade da arte na época, cuja Exposição Universal estava para acontecer, que tinha como seu principal atrativo a Torre Eiffel, que seria apresentada para a França e ao mundo, para o desgosto da elite, que a considerava pavorosa - o que me fez rir alto, afinal quem diria uma coisas dessas atualmente?!.


 “- A Torre Eiffel está se tornando realmente uma monstruosidade... Uma desgraça na paisagem a cada dia que passa”


“A cultura é o caminho para o conhecimento e a chave para uma vida equilibrada. Pelo menos é o que os boêmios dizem. ”
        



      Não digo que o livro é indefectível pois em alguns momentos me irritei com a Maude deslumbrada, que deixou alguns momentos de tristeza e indignação, pois ela aparentava ser muito mais madura. Mas por outro lado, só humanizou a personagem, que havia acabado de pular de para-quedas em um mudo extremamente contrastante com o dela.
  
            A obra tem muito a oferecer a qualquer um que procure sua leitura, a qual eu super recomendo, pois mesmo sendo histórico sua abordagem é atemporal. Mostrando a real beleza, o julgamento pelas aparências, mulheres fortes e decididas, um romance provocativo que envolve o leitor e o inspira além de o fazer refletir. Quero aproveitar e parabenizar a Versus, por um edição sem erros, com letras grandes e espaçadas em papel amarelado. E se a resenha não conseguiu atrair... como não ficar tentado com essa capa?!
           

“Há duas maneiras de espalhar a luz: ser a vela ou o espelho que a reflete”- Edith Wharton