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Resenha: A Coroa da Meia-Noite


“ E a jornada não é mais importante que o destino?”

A sequência do livro Trono de Vidro, da escritora Sarah J. Maas se intitula “A Coroa da Meia-Noite” (Crown of Midnight),  e foi publicada em 2014 pela Editora Galera Record, é uma das poucas continuação de ‘meio’ que me empolgaram de início ao fim – mesmo meu ship não dando certo.


Após o torneiro ser encerrado Celaena finalmente se torna assassina real e dia após dia sua liberdade está mais próxima e seu tempo se serviço menor. Mas ela não busca só por liberdade, ela busca justiça, mesmo tendo que arriscar aqueles que mais ama no percurso.

“ O resto do mundo se calou até virar nada. Naquele momento, depois de dez longos anos, Celaena olhou para o capitão e percebeu que estava em casa.”

Ao mesmo tempo em que ela luta para cumprir seus deveres em meio aos seus próprios termos, ela busca em Nahemia  conselhos... mas a amiga está tão distante, focada em suas próprias guerras. Então ela se vê mais próxima de Chaol, buscando em sua amizade aquele conforto a muito esquecido. O que resulta em um afastamento do príncipe, que agora procura entender seus próprios dilemas, entender o que está acontecendo com ele.


ela continua me lembrando a Katarina do League of Legends.

Em 404 páginas a autora se superou ao explorar todo um passado que fez da protagonista uma eterna desconfiada, que reluta ao se entregar para alguém, mas quando o faz, protege seus queridos com unhas e dentes. Com uma coragem e determinação que transcende a expectativa do leitor, que nos envolve nessa busca de respostas, nessa busca de conhecimento... nessa busca de vingança.

“ – Então só estou aqui como decoração? - Fique grato por eu considera-lo um acessório digno.”


Mesmo tendo gostado muito do primeiro volume, o desenrolar era fácil imaginar, além dos acontecimentos serem explorados com inúmeras delongas... em A Coroa da Meia noite não é assim que acontece. Temos inúmeras respostas sendo nos dadas, incessantes cenas de ação, diversas reviravoltas, que nos prender no livro do início ao fim.



“Era como voltar para casa ou nascer ou subitamente encontrar uma metade de si que estava faltando”

Sarah diferente do que eu imaginava não resolveu explorar um triângulo amoroso – o que geralmente acontece e deixa o livro suuuper enrolado – ela fez uma decisão e por mais que não fosse a minha, achei a justificativa e a forma como ocorreu tão lindas que fui convencida. O que deu a trama novos ares, mesmo ainda tendo romance, abriu espaço para outros fatores se desenvolverem, como os dogmas do passado, o poder por trás do rei tirano e a magia que circunda o reino.

“Cada passo era impecável, letal, como aquela primeira vez que os dois lutaram no treino tantos meses antes. Ela conhecia todos os movimentos dele, e Chaol conhecia os de Celaena, como se os dois tivessem dançado aquela valsa juntos a vida inteira”

Fico imaginando o que vou fazer até conferir Heir of Fire, o livro três da série, cujo lançamento americano datou 2 de setembro de 2014, mas a previsão para chegar no Brasil é só em 2015, junto com a prequel Assassin’s Blade. Que definitivamente não irei conseguir esperar, me desculpe Galera Record, mesmo a edição estando maravilhosa, na qual encontrei pouquíssimos erros... esse desfecho foi tão incrível e tão imprevisível – salvo algumas coisinhas que já imaginava que seria daquele jeito, e ainda bem que foi –,  que me deixou querendo mais, e mais AGORA. Contudo o mais duro é saber que o último livro só será lançado em 2017 e se Maas continuar nessa ascensão exponencial... eu terei um infarto esperando!



“Algumas coisas você escuta com os ouvidos, outras, você escuta com seu coração”


Resenha: Um Caso Perdido

“Alguns pais te dão a vida. Outros te ensinam a vivê-la”

            Fazia tanto tempo que estava querendo ler qualquer coisa da Colleen Hoover, foi difícil decidir com qual começar, fiquei entre dois Métrica e Um Caso Perdido (Hopeless). Decidi pelo segundo pelo fato de o terceiro livro da trilogia a qual Métrica pertence, ainda não ter sido lançado e como me conheço, se eu gostasse iria querer logo os três de uma vez. Hopeless – o nome original é muito melhor e faz todo o sentido durante o livro – foi lançado em 2014 pela Editora Galera Record.


            As últimas lembranças de Sky são após sua adoção e sua atípica vida. Criada por Karen, uma mãe que era contra todo tipo de tecnologia, vegetariana, que mantinha a filha estudando em casa. O pouco convívio que tinha com pessoas da sua idade vinha a partir de sua vizinha Six, que consigo trazia garotos, tanto para ela como para Sky. Mesmo não se relacionando da mesma maneira que sua melhor – e única – amiga com esses rapazes, Sky já era famosa na escola, que não frequentava, por partilhar a amizade com Six.

“Minha falta de acesso ao mundo real foi totalmente substituída por livros, e não deve ser saudável viver na terra dos finais para sempre.”
           
            Em uma narrativa em primeira pessoa, pelo ponto de vista de Sky, o livro mostra as reviravoltas que a sua vida dá. Ao resolver cursar o último ano de escola fora de casa e Six sair em intercambio, percebe os percalços que a fama recebida lhe trariam, que as meninas malvadas não são apenas personagens de livros, que elas realmente existem, mas no fim ela não dava a mínima. Ou melhor não ligava até conhecer Dean Holder e perceber que essa fama poderia atrapalhá-la... que ele lhe provocava sensações que nunca alguém lhe proporcionou. Pois sempre procurou se sentir apática... principalmente quando estava acompanhada de garotos, em que sua única vontade era olhar para seu teto estrelado e não sentir nada. Por fim, a  reviravolta de começar a lembrar de um passado há muito esquecido.


“Quero que tranque os braços ao meu redor e jogue a chave fora, pois aqui é o seu lugar e tenho medo que me solte de novo”

            São 381 páginas que nos fazem entender o sentimento de solidão, de perda, da busca por alguém que parecia estar esperando a vida toda e principalmente entender a relevância das respostas de como uma verdade, uma escolha, pode mudar toda uma vida. Um livro que trata o amor dos protagonistas, que a primeira vista aparenta ser super clichê, mas que durante a narrativa percebemos que não tem nada de convencional. Que aborda assuntos tão pesados e tão corriqueiros, da maneira intensa como deve ser tratada, nos fazendo sentir as perdas, as dores, o desespero.

“Fodam-se as primeiras vezes, Sky. A única que importa agora para mim com você são os para sempre”

            Eu adorei  escrita de Colleen, que mesmo intercalando passado e presente, consegue nos prender do início ao fim. Falando sobre sentimento e superação, como poucas vi, além de mesclar a força e a sutileza com uma pitada de ironia de maneira única. Esse sentimentalismo para muitos foi visto como exagero, como um drama infundado, contudo como já dito, os assuntos levantados são corriqueiros, e só agora que vejo a exploração de assuntos desse porte, de maneira a mostrar como uma vítima reage... ou melhor as diferentes formas com que pode reagir.


“A vida não pode ser dividida em capítulos... só em minutos. Os acontecimentos da vida de uma pessoa são aglomerados de um minuto após o outro, sem nenhum intervalo de tempo, páginas em branco ou pausas de um capítulo, porque não importa o que aconteça a vida apenas continua, segue em frente, as palavras são ditas, e as verdades sempre surgem, quer você queira ou não, e a vida nunca deixa você fazer uma pausa apenas para recuperar o fôlego.”

            Bom a autora já havia me ganhado com o livro e por saber que tem a versão sob a perspectiva de Holder e de Six – quem me conhece ou acompanha o blog, sabe que eu sou louca por tramas cuja narrativa é feita sob pontos de vistas diferentes, mesmo que sejam dois livros, então aguardem novas resenhas por aqui – mas virei sua fã ao ler seus agradecimentos... lembrando de nós blogueiros:  “Obrigada a TODOS os blogueiros que se esforçam tanto para compartilhar seu amor pela leitura. Vocês são a salvação dos escritores, e agradecemos por tudo que fazem.” Tem como não ficar super feliz e querer recomendar para todos? :)  

“É porque não existe escolha certa... Às vezes, precisamos escolher entre um monte de escolhas erradas, sem a possibilidade de nenhuma certa. Você simplesmente tem de decidir pela escolha errada que parece menos errada”



Resenha: Os Instrumentos Mortais - Cidade do Fogo Celestial


“Tempere-nos com fogo e nós cresceremos mais fortes. Quando nós sofremos, nós sobrevivemos”*


Finalmente soube o final da série Os Intrumentos Mortais (The Imortal Instruments) escrita pela Cassandra Clare e composta por seis livros: Cidade dos Ossos, Cidades das Cinzas, Cidade do Vidro, Cidade dos Anjos Caídos, Cidade das Almas Perdidas e por fim Cidade do Fogo Celestial (City of Heavenly Fire), que é o motivo da resenha de hoje. Todos títulos associados a  Editora Galera Record, sendo o último previsto para ser lançado ainda este mês. 
*Se você não leu a série pode conter Spoilers dos livros que antecedem Cidade do Fogo Celestial, contudo não há spoilers deste*



Sebastian está transformando todos os Caçadores de Sombras em Caçadores de Sombras Negros. Invadindo Institutos, com seus mais recentes aliados, forçando os Nephelim a beber do seu Cálice das Trevas, fazendo os que sobraram se refugiarem em Idris.
“- Esse é – disse Isabelle em voz baixa e surpresa – Irmão Zacariah?! Quando ele ficou tão gostoso?!”* 
Todos os integrantes do Mundo das Sombras, estão acuados, amedrontados com essa ameaça iminente. Todos os olhares se voltam para Jace, que tem o Fogo Celestial correndo em suas veias, todavia ninguém, nem mesmo ele, sabe como controla-lo. Surge então o impasse entre os integrantes do Submundo, será que devem se aliar ao Caçadores de Sombras, honrando os Novos Acordos,  ou se aliar a Sebastian, que parece ser o lado mais promissor?!
“- Você se preocupa com ele? – perguntou Emma a Alec, gerando uma surpreendente risada nele. – O tempo todo – disse ele – Jace poderia se matar colocando suas calças de manhã. Ser seu parabatai é um trabalho de tempo integral”* 
Neste último volume Jace, Clary, Simon, Izzy, Alec e seus amigos, estão novamente juntos em busca de como parar Sebastian, tentando descobrir como usar a arma que possuem, como se manter vivos, além claro de desvendar o que sentem realmente um pelo outro.



Confesso que esperava muito menos deste livro, pois achei os três primeiros livros muito melhores que os dois que o seguiram. Até então achava que a série poderia ter encerrado em Cidade de Vidro, que seria um excelente final, contudo Cassandra me surpreendeu neste último volume, está sensacional! 
“Todo mundo tem potencial para ser extraordinário. Enquanto você tiver uma alma e livre arbítrio, você pode ser o que quiser, fazer o que quiser, escolher o que quiser”*
Clary amadureceu muito, como mulher, como Caçadora de Sombras, deixando aquele lado inseguro e chato que surgiu em alguns momentos na série. O Jace deixa de ser aquele dos últimos dois livros e volta ser o Jace que todas nós adoramos! Todos os demais personagens são muito melhor desenvolvidos, com a Isabelle ainda mais envolvente, Simon mostrando toda sua inteligência e um  carisma muito mais contagiante, mas o que mais me surpreendeu foi Alec ,que foi muuuuito melhor caracterizado, mostrando os seus “porquês” e finalmente caiu nas minhas graças!


Foram 725 páginas (em inglês) de incontáveis cenas de ação, conflitos e romances, fazendo você não desgrudar os olhos do livro, prender a respiração até conseguir soltar um suspiro de alívio, um “ooownn”, ou ainda uma gargalhada! Há uma variação maior de pontos de vistas, mostrando ao leitor os acontecimentos em cada face da guerra, entre os Vampiros, os Feiticeiros, os Lobisomens, Sebastian, a Clave e é claro com o grupo de amigos mais aleatório do Mundo das Sombras, que faz a trama ficar ainda mais intrigante.
“- Heteros – declarou Alec – Por que eles não conseguem se controlar?! – É um mistério Simon concordou”* 
Um ponto que eu não gostei do livro foi a introdução dos personagens da nova trilogia de Cassadra “Os Artifícios das Trevas” (The Dark Artifices), que tiveram uma aparição um pouco excessiva, para quem não planeja ler esta nova série é totalmente desnecessária, mas convenhamos é uma excelente jogada de marketing. Por outro lado há uma breve continuação de Os Instrumentos Infernais (The Infernal Devices), que eu adorei!
Portanto  Cidade do Fogo Celestial  é muito mais que uma final incrível para Os Instrumentos Mortais, mas uma introdução a Os Artifícios das Trevas e as explicações que faltaram em As Peças Infernais. Ou seja, para quem gosta de Cassandra Clare e suas séries, será um livro para terminar de ler e guardar com muito carinho.

“Nós somos todas as peças do que nós podemos lembrar. Nós seguramos em nós mesmos as esperanças e os medos daqueles que nos amam. Desde que haja amor e memórias, não há uma perda real”*

*Tradução livre.

Resenha: Trono de Vidro

Todos carregamos cicatrizes, há quem tenham-as mais visíveis que a maioria.

        
O mundo de fantasia de Erilea e a vida de uma assassina é o tema de “Trono de Vidro” (do original- Throne of Glass; Sarah J. Maas; 2012) lançado no Brasil pela editora Galera Record em 2013.

Acho essa capa igualzinha a skin Katarina Mercenária do League of Legends 


O livro conta a vida de Celaena Sardothien, que aos 8 anos teve seus pais assassinados pelo rei tirano e impiedoso de Adarlan, que está conquistando todos os reinos de Erilea. Ao fugir daqueles que a queriam morta, Sardothien quase morre, mas é encontrada pelo rei dos Assassinos, que termina salvando sua vida. Criando-a como sua filha, o rei treina a protagonista para ser a assassina mais perigosa de Adarlan. Contudo é traída e capturada pelo rei tirano, sendo sentenciada a passar sua vida como escrava nas minas de sal de Endovier.

“ – Aprender com graciosidade não fez parte do seu treinamento?
    – Não – respondeu Celaena, com amargura. – Aerobynn me dizia que o segundo lugar é apenas um título bonitinho para o primeiro perdedor.”

            Um ano após sua captura ela recebe uma proposta: representar o príncipe em um torneiro para eleger o assassino oficial do Rei, que em troca, após anos de serviço, receberia sua liberdade. Um proposta irrecusável, para quem já está em seu limite físico e mental, devido as péssimas condições de trabalho nas minas de sal.



            As 388 páginas contam a trajetória de Celaena durante as competições, os obstáculos impostos pelas suas péssimas condições físicas, o perigo de cada etapa da competição e os amigos e inimigos que conquista. O local da competição, o castelo de vidro, é assombrado por um poder maligno, que a protagonista tenta deter com as mais inesperadas ajudas. E para agradar aqueles que procuram um bom romance,  forma-se um inesperado e divertido  triângulo amoroso.

“ – Você é meu presente ou tem alguma coisa nessa cesta aos seus pés? – perguntou Celaena.– Se você quiser me desembrulhar – disse ele, e levantou a cesta de vime até a mesa -, ainda temos uma hora até a cerimônia no templo.”

            Durante a leitura, com os diálogos inteligentes e divertidos, não tem como não cair nas graças do humor provocante da protagonista. É impossível não torcer para que ela consiga enfrentar seus desafios e que sua busca pela liberdade não acabe em vão, além de, claro, não morrer de curiosidade sobre qual o desfecho desse triângulo amoroso tão peculiar!

“...Dorian permanecia completamente espantado. Celaena estava tocando havia algum tempo, com as costas para ele. O príncipe imaginou quando a assassina o notaria ou se um dia pararia. Dorian não se importaria de ouvir para sempre. Tinha ido até lá com a intenção de envergonhar uma assassina arrogante, em vez disso, encontrara uma jovem derramando seus segredos no piano.”

            O grande diferencial do livro é a protagonista, que foi idealizada com a seguinte pergunta: E se a Cinderela fosse uma assassina?. Por conta disso “Trono de Vidro” acaba fugindo totalmente do senso comum das histórias de fantasia com príncipes e princesas. Mas mesmo assim a assassina mostra seu lado mulher e seu lado sensível, o que faz Sardothien cair no gosto dos leitores.



“Adarlan podia privá-los de liberdade, podia destruir-lhes as vidas, surrá-los, torturá-los e obrigá-los a participarem das disputas mais grotescas, mas criminosos ou não, eram ainda humanos.”

            Já foi lançado, fora do Brasil, o livro dois Crown of Midnight (Coroa de Meia-Noite), com previsão para chegar no Brasil em Junho/2014, e em setembro lança o livro três: Heir of Fire (Dama de Fogo), sem previsão ainda no Brasil. Além desses e de outros cinco contos sobre o mundo de Erilea cujo título é The Assassin’s Blade (A Lâmina da Assassina), Sarah, ainda pretende escrever outros 3 livros na sequência, com nomes ainda não definidos.

A autora deixou diversos fios a serem desenrolados, o que justifica as sequências, pois, como já dito, o foco do livro é muito mais que apenas a competição. Contudo eu acho que ela poderia ter trabalhado num final mais esclarecedor, ao invés de deixar tantos mistérios a serem desvendados em continuações, que anteriormente nem eram concretas. Eu sinceramente espero que Maas não nos desaponte com continuações decepcionantes e cheias de “encheção de linguiça” só para fazer jus aos outros cinco livros previstos.



Bom depois de toda a descrição da personagem, o livro podia muito bem ser a história da Katarina antes de ir para Summoner's Rift