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Resenha: A Culpa é das estrelas



“Meus pensamentos são estrelas que eu não consigo arrumar em constelações”.

           
            Depois de muita resistência, cedi a curiosidade de ler “A culpa é das estrelas” (The Fault in our Stars) escrito pelo americano John Green e publicado no Brasil em 2012, pela editora Intrínseca, contendo 288 páginas.  O livro, narrado em primeira pessoa, conta, por ela mesma, a  fase vida em que Hazel Grace – ou só Hazel –  encontra o amor.




            Hazel é uma adolescente em estágio terminal de câncer, que tem a vida prolongada por meio de drogas experimentais, mas que já se conformou com o fato que o câncer devorou uma parte da sua vida, seus amigos, sua escola, sua adolescência, mas principalmente se conformou que seus dias são finitos, e cada vez mais finitos.

“Alguns infinitos são maiores que outros. [...].Há dias, muito deles, em que fico zangada com o tamanho do meu conjunto ilimitado...”

Enfim, em um grupo de ajuda para os que vivem com câncer, Hazel conhece Augustus, o fofíssimo, Gus. Eles se encontram, em meio aos percalços da doença, ao medo de se envolver com alguém e fazê-lo sofrer, e criam um mundo cheio de metáforas e ironias para escapar da realidade que enfrentam

“ - Eu sou tipo. Tipo. Sou tipo uma granada, mãe. Eu sou uma granada e, em algum momento, vou explodir, e gostaria de diminuir o número de vítimas, tá?”

            O principal fator que une Hazel e Gus é um livro chamado “Aflição Imperial”, o preferido de Hazel, que conta a história de Anna, uma menina que também é uma portadora de câncer. Entretanto a Anna morre e o livro simplesmente acaba, sem explicar o que ocorre com os demais personagens da trama.  O escritor do livro, Peter Van Houten, nunca escreveu uma continuação e nem pretende. Mas a curiosidade dos dois é maior que o desejo de reclusão de Van Houten e juntos vão atrás de suas respostas, de algum jeito ou de outro.

“A tristeza não nos muda Hazel. Ela nos revela”

Me xinguem e  odeiem, mas ACEDE (como o livro é chamado) não correspondeu as minhas expectativas e não acho que seja nem metade do livro que pintam por ai. Concordo sim, que o livro tem uma história linda de amor e superação, ainda mais pelo fato que é baseada em fatos verídicos; que tem diálogos excelentes e frases de maravilhosas para pensar e refletir. Além da linda maneira que John Green descreve o amor dos pais pelos seus filhos, lutando contra o impossível, movendo mundos e fundos para que seus filhos tenham a melhor vida possível, independente de suas condições.

Esther Grace a Hazel da vida real. 
“Esse é o problema da dor. Ela precisa ser sentida”

Contudo achei que a paixão que surgiu, não teve desenvolvimento ou uma progressão, ela simplesmente conhece o cara, e pronto, ambos estão perdidamente apaixonados um pelo outro. Isso atrapalhou o decorrer do enredo, que poderia ser mais desenvolvido, colocando um espaço maior de tempo entre os acontecimentos. Tudo bem, que, se tratando de estágio terminal de câncer, tempo não é algo que se pode ser exigido, mas talvez se tivesse esse desenrolar menos frenético, e Hazel e Gus cairiam mais nas minhas graças.





versão original e versão homossexual do pôster do filme baseado no livro


 Não me entendam mal, o livro está longe de ser ruim, não acredito que poderia ter um final mais cativante e surpreendente. Mas tampouco, a obra é as maravilhas que rogam por aí. Espero profundamente que a trajetória desse jovem casal, atraía mais a vocês do que atraiu a mim, O.K.?! =).


“A escrita não ressuscita. Ela enterra”

Para os interessados o livro foi adaptado para o cinema, com estreia prevista para junho deste ano. O trailer, que segue abaixo, bateu todos os records, de visualizações no youtube, do gênero.






Ps: No livro há uma citação, que para mim é absurda, dizendo que o filme “V de Vingança” é “um tipo de filme que só agrada garotos”, sendo que está entre meus preferidos!!! E está muuuito longe de ser um filme que só agrada garotos. Além de que rotular coisas como "de guria e de piá", já está fora de cogitação faz muito tempo.