Ed Kennedy. Dezenove anos. Um perdedor.
Markus Zusak ficou conhecido por seu best-seller “A Menina que roubava livros” (The Book Thief), que agora já foi para as telonas com mesmo título. Seus outros livros, podem não ser tão famosos, mas não ficam pra trás em qualidade, “A garota que eu quero” (Getting the Girl) e “Eu sou o Mensageiro” (The Messenger), os que eu já li achei maravilhosos e indico para todos
Bom, vamos falar um pouco de “Eu sou o Mensageiro”, com 318 páginas foi publicado em 2002, mas no Brasil chegou apenas em 2007 pela editora Intrínseca. O livro se inicia com um assalto a banco que Ed Kennedy e seus amigos, fracassados, presenciavam. Os assaltantes se apavoram com a chegada dos policias e tentam fugir, neste momento Ed toma uma atitude, pega a arma, que o assaltante de primeira viajem simplesmente deixou cair, e consegue evitar que o mesmo fuja, sendo o herói do dia!
“Então está tudo pronto. Vai todo mundo. Famílias. Bebuns. Canalhas. Ateus. Adoradores do cão. Góticos. Todo mundo. É pra você ver o que cerveja de graça é capaz de fazer”.
E isso o fez pensar que em todos seus 19 anos este foi seu grande feito, um grande feito que não passou de um pouco de sorte e “estar no lugar certo na hora certa” . Então ele se comparou com outros jovens, que com 19 anos já tinham mudado gerações, como Bob Dylan que nesta idade já lançava grandes sucessos, que até hoje são hinos de gerações.
“Nós, cuecas, achamos que é uma obrigação ser bom no negócio. Pois estou aqui pra dizer que não sou. [...]É só sexo. Pelo menos é isso que fico dizendo pra mim mesmo. Eu minto pra caramba”.
Até então Ed levava uma vida de um perdedor. “Seu emprego: taxista. Sua filiação: um pai morto pela birita e uma mãe amarga, ranzinza. Sua companhia constante: um cachorro fedorento e um punhado de amigos fracassados”. Apaixona-se pela amiga que dorme com todos, e dele só que a amizade!
Com a mídia destacando seu ato de heroísmo, Ed acaba na mira de desconhecidos, que lhe enviam uma carta, um ás de ouros, cujo significado nossa perdedor desconhece. Mas a carta continha três endereços, que Ed decide visitar. Ao chegar no primeiro endereço encontra a casa de um bêbado que batia e abusava da mulher enquanto a filha ouvia e chorava na varanda. Ao visitar os outros endereços, Ed encontra em cada um, outro drama particular.
Então decide que, quem quer que mandou a carta, queria que ele fizesse a diferença para aquelas pessoas. Ed toma atitude, interferindo às vezes sutilmente, às vezes se fazendo presente. Ao completar os três endereços recebe uma nova carta, um novo ás, e assim segue a jornada do mensageiro, que nada mais é que o baralho da vida de Kennedy, que ao mudar a vida dos outros ele acaba mudando a sua também.
“As vezes as pessoas são bonitas. Não pela aparência física. Nem pelo que dizem. Só pelo que são”.
Zusak com sua linguagem crua, simples e impactante, cria um personagem peculiar que captura as singularidades de cada um, deixando marcas na vida dos outros a partir de pequenos atos. Nos encantando com o mensageiro e sua mensagem, que nada mais é que, no fundo, todos nós somos mensageiros!
