Sejamos Infinitos...
Nós aceitamos o amor que achamos que merecemos.
Quem não ficou com vontade de abrir seus braços em uma caçamba de caminhonete, dentro de um túnel, e se sentir infinito como Charlie, Sam e Craig, depois de ler As vantagens de ser invisível (The perks of being a wallflower)?! Escrito por Stephen Chbosky o livro foi lançado no Brasil pela Editora Rocco em 2007.
O livro é contado a partir de cartas que Charlie manda para um leitor desconhecido, em uma cidade desconhecida. Tudo que é escrito é o que o garoto pretende compartilhar, dentro de seu próprio mundo de interpretações. O que torna o livro único é a honestidade e ingenuidade com que ele age e descreve os fatos ocorridos, suas descobertas, seus sentimentos.
“Eu acho que somos quem somos por várias razões. E talvez nunca conheçamos a maior parte delas.”
Charlie é um garoto de 15 anos. Que perdeu sua Tia, a sua pessoa favorita no mundo, muito criança, e seu melhor e único amigo comete suicídio, o deixando sozinho em uma nova etapa estudantil: o ensino médio.
Logo de cara conhece Bill, o professor de inglês, que percebe em Charlie um grande potencial, indicando livros para leitura extra como Hamlet, O grande Gatsby, O sol nasce para todos, O apanhador no campo de centeio, etc. Mas o grande diferencial de Bill, é que ele o incentiva a participar mais.
“É muito mais fácil não saber das coisas de vez em quando.”
E nessa procura de espaço no mundo adolescente, acaba conhecendo Sam e Craig, junto com eles todo um grupo, das mais diferentes personalidades, no qual estão inseridos. Com isso Charlie começa a aprender mais sobre si mesmo, sobre como conviver com o diferente, mudando sua rotina, mudando seus conceitos. Amadurecendo.
Durante a trama você vai encarando cada personalidade, seus dramas e suas ambições e, principalmente, seus conflitos. Muitas vezes, esses conflitos, abordam temas polêmicos, como homossexualismo, gravidez na adolescência, violência doméstica. Contudo, como é contado a partir das observações de Charlie, tais assuntos, que poderiam deixar a leitura pesada, adquirem a pureza e inocência do seu narrador.
“Deixei que o silêncio colocasse as coisas no lugar em que elas deveriam estar”
Essa inocência incomum em um garoto de 15 anos, faz perceber que tem algo errado com Charlie, que no final fica bem claro. Mas tal característica me fez me irritar com o protagonista em alguns momentos, ELE NÃO SE IMPÕE, é extremamente submisso e maria-vai-com-as-outras, tudo bem que, se justifica, mas não deixou de querer dar umas sacudidas no Charlie durante a leitura.
Não que não tenha gostado do final, ou do livro, muito pelo contrário eu adorei! Mas acho que Chbosky, deixou o pra por “os pontos nos is” muito no final, acredito que se tivesse se adiantado um pouco e trabalhado mais com o desfecho do livro, ele ficaria ainda mais interessante.
“Não há nada como a respiração profunda depois de dar uma gargalhada. Nada no mundo se compara à barriga dolorida pelas razões certas. E essa era ótima.”
O livro é composto por uma trilha sonora, (sim, trilha sonora!), que ao decorrer do enredo, não tem como não procurar ouvir as músicas, que são tão marcantes. Afinal quem nunca procurou a música certa para cada momento?! Para cada sensação?! Ou para cada pessoa?! Meu primeiro impulso quando acabei de ler, foi correr pro youtube e ouvir, repetidamente, músicas como:
- o Asleep – The Smiths;
- o Dear Prudence – The Beatles;
- o Daydream – Smashing Pumpkin;
- o Blackbird – The Beatles;
- o Dusk – Genesis;
- o MLK – U2.
Bom, este livro, também, já teve sua adaptação às telonas, que foi dirigida pelo próprio Stephen Chbosky, e esse eu adorei. Mesmo trocando algumas músicas da minhas trilha sonora literária, as substituições não pecam por falta de qualidade. Uma escolha de elenco maravilhosa. Bom não vou me alongar, quem tiver curiosidade sobre o filme o trailer tá aqui: